
Em meio à multidão que se acotovela na procissão no Domingo de Ramos, uma mulher, desesperada, procura por sua filha pequena. Muitas lágrimas e alguns copos de água com açúcar depois, aparece a menina mais que feliz, abraçada a um mendigo que, frente às evidências, jamais passara pela insólita experiência de um banho. A mulher, minha mãe. A criança desgarrada, eu.
Já vai longe aquela Semana Santa, e essa história que minha mãe contava, me vem à memória quando me acometem considerações sobre as delícias de um abraço.
Abraço. Tantas são as definições. Entretanto, nenhuma delas apreende o real significado dessa troca de energia.
A larga experiência nessa prática à qual sou afeita e militante me assegura que não todas as pessoas têm disposição e competência para esse entrelaçamento de corpo e de alma. Dois em um, um em dois, despidos dos pudores sem juízo, inoculados e em nós sedimentados graças à repressão das espontâneas demonstrações físicas de sentimentos e emoções.
Li em um jornal da Espanha uma comovente história ocorrida na Índia. Uma menina de quatro anos em estado de saúde gravíssimo, já sem esperança de vida, tendo sido acompanhada pela mãe que a abraçava com carinho, tanto quanto podia, foi aos poucos melhorando, e, para surpresa da equipe médica, após dois meses no hospital, foi para casa andando com as próprias pernas, completamente recuperada.
Se não a razão da cura, sem dúvida, o contato físico com a mãe foi coadjuvante no tratamento da pequena indiana.
Se não a razão da cura, sem dúvida, o contato físico com a mãe foi coadjuvante no tratamento da pequena indiana.
Abraço, essa prosaica iguaria afetiva, recurso de partilhamento, intimidade permitida em público, é também eficiente curativo para contusões no ego, tombos da auto-estima, lesões na vaidade, vendaval na vida interior de todas as pessoas.
Estreita os laços, amplia a amizade, quebra o gelo, esquenta o clima, esfria os espíritos esquentados. É entrega e aceitação, doação e acolhimento. Abraço é isso, igual em seu contrário.
Que graça teria a vida sem a invenção do abraço?...
Que graça teria a vida sem a invenção do abraço?...
Abraço não tem contra-indicação, tampouco efeitos nocivos, apenas os seus adoráveis efeitos colaterais. Abraço não tem preço; custa nada.
E o melhor: está ao alcance dos seus braços. Não é o máximo?!
E o melhor: está ao alcance dos seus braços. Não é o máximo?!
E aí, tá esperando o quê?...mexa-se! se abrace com a pessoa ao seu lado, seus pais, seus filhos, toda a família, amigos, colegas de trabalho...
Enfim, abrace essa idéia e vá abraçar todo mundo!
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